Para construir as competências na escola é preciso perseguir os aspectos que dão sentido à presença dos alunos na escola e ao seu aprendizado. É na medida em que se vive num meio sobre o qual é possível agir, discutir, decidir, realizar, avaliar junto com os outros que são criadas as condições mais favoráveis ao aprendizado.
Há muitos casos em que a pedagogia, na maior parte do tempo, está baseada no ensino, ou seja: a atividade essencial é realizada pelo professor, é ele quem elabora e constrói. Cabe aos alunos entenderem, responderem ou executarem as tarefas. É preciso partir para uma pedagogia baseada no aprendizado, em que os alunos ensinam a si mesmos, construindo seu saber e suas competências com a ajuda de outros.
Dessa forma, não se ensina uma criança a ler: é ela que se ensina a ler com a ajuda de seus professores, colegas, instrumentos da aula, pais e de todos os leitores encontrados. Cada um possui seus próprios processos, suas etapas, seus obstáculos a vencer e a ajuda lhe vem do confronto com as proposições das outras pessoas com quem está trabalhando. Nessa perspectiva, cabe ao professor:
• Fazer com que a vida da aula proporcione às crianças situações de leitura simultaneamente efetivas e muito diversificadas;
• Ajudar os alunos a interrogarem o escrito: procurar um sentido, levantar hipóteses a partir de indícios e verifica-las;
• Ajudar os alunos a elucidar suas próprias estratégias de leitura.
Para desenvolver essas atividades é preciso partir do pressuposto de que LER é:
• Atribuir diretamente um sentido a algo escrito. Diretamente, isto é, sem passar pelo intermédio da decifração ( letra por letra, sílaba por sílaba, palavra por palavra ) nem da oralização ( grupo respiratório por grupo respiratório ).
• Questionar algo escrito como tal a partir de uma expectativa real ( necessidade-prazer ) em uma verdadeira situação de vida. Questionar um texto é fazer hipóteses de sentido a partir de indícios levantados e verificar essas hipóteses. Tal questionamento se desenvolve através de toda uma estratégia de leitura que nada tem a ver com uma decifração linear e regular ( que parte da primeira palavra da primeira linha para chegar à última palavra da última linha ). Essas estratégias podem variar de um leitor para outro, de um texto para outro e, para um mesmo leitor e um mesmo texto, de um objetivo para outro.
• Por fim, ler é ler escritos reais, que vão desde um nome de rua numa placa até um livro, passando por um cartaz, uma embalagem, um jornal, um panfleto, etc, num momento em que se precisa realmente deles numa determinada situação de vida. É lendo de verdade, desde o início, que alguém se torna leitor e não aprendendo primeiro a ler.
Editora Moderna (projeto: Presente!)
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